Tirada a instrução primária embrenha-se nos
negócios de seu pai com quem permanece até aos vinte anos. É com essa idade que
resolve romper com a vida rotineira que levava, decidindo, mesmo contra a
vontade paterna, ir estudar para Coimbra. Aí, estudando longas noites à luz da
lamparina de azeite ou do candeeiro de petróleo num velho quarto de
“república”, consegue, num percurso brilhante e invulgar, em oito anos, tirar o
curso liceal e formar-se em direito.
Licenciado,
instala-se na sede da Comarca como advogado e depois é nomeado Governador
Regional, casando-se depois com D. Maria Soledade Correia Teles Diniz.
Advogado, funcionário público, político e
jornalista, Dr. Diniz tudo exerceu com entusiasmo, sobretudo com espírito de
missão.
Tal como o Visconde de Castanheira de Pera ou
Dr. Eduardo Correia poderia, se quisesse, libertar-se da estreiteza do seu meio
e ensaiar voos mais altos no foro ou na política; preferiu, porém, ficar.
E então o
seu génio inventivo, para além de colaborar intensamente na luta pela autonomia
municipal, cria uma hidroelétrica no Pisão Novo, que leva a eletricidade
pública a Castanheira a 12 de Dezembro de 1912, muitos anos antes que
importantes cidades. Funda o primeiro jornal local “O Ribeira de Pera”, e
idealiza dezenas de projetos.
Assim, planifica um ramal ferroviário da Lousã
a Castanheira que previa furar a serra, do Catarredor à Cova das Malhadas e um teleférico
visando o transporte de passageiros, projetos que não chegaram a ter
concretização.
Espirito progressista e benemerente como o
demonstra a sua maneira de estar na vida e na política, a constante
solidariedade social. Vanguardista a que se atribuí o primeiro fonógrafo, a primeira
máquina de escrever, o primeiro quarto de banho e o primeiro automóvel de
Castanheira.
Em 1927,
já sob o regime da ditadura, o litígio que vinha travando com a Câmara sobre o
fornecimento de energia elétrica conhece um epílogo violento: a rede é desmantelada.
Este ato unilateral e ingrato provoca um forte
traumatismo no Dr. Diniz que a partir daí e segundo as palavras do seu próprio
filho “cada ano trazia uma ruína nova ao que fora a arquitetura de uma
existência.”
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